Café #16
somos exatamente iguais
Olá! ☕️
Faz tempo que não dou notícias, né?
Dia desses, minha amiga Ket, do A History of Crows, me perguntou: “não vai mais continuar com a news?”. E me bateu um remorso de não ter escrito mais nada. Eu gosto muito daqui, mas não estava mais dando conta de manter a frequência de publicação mensal. Estava precisando descansar a cabeça. Até por conta disso não tinha muito o que indicar. Estava vendo poucos filmes, ouvindo pouca música, e lendo muito pouco também (nem vou falar sobre o desenho).
Aí pensei em não ter uma frequência definida, e escrever uma edição para cada livro que eu quisesse recomendar. Foi mais ou menos o que fiz na última edição, sobre Na Natureza Selvagem. Mas como não li mais nada… a ideia ficou esquecida.
Acabei abandonando O Senhor dos Anéis no terceiro volume, porque não estava mais conseguindo tempo nem um bom lugar pra ler. Aí acabei caindo num limbo. Comecei vários ebooks, e abandonei todos. Nada ia pra frente. Pensei então em voltar aos livros físicos. Li “Nada para ver aqui”, do Kevin Wilson, por indicação da Jess, do cozy sport ghost. Foi uma leitura muito fluida e tranquila, bem o que eu estava precisando (é uma história sobre crianças que pegam fogo, só leia). Ao mesmo tempo li “Casas Estranhas”, do Uketsu, um livro de mistério, que me deixou muito curiosa, e li junto com o Lendo Terror.



Pra não quebrar o encanto, resolvi continuar nos livros físicos e ainda retomar um hábito que eu tinha abandonado: emprestar livros da biblioteca pública, coisa que sempre amei. Tirei um tempinho pra ir lá visitar, e já anotei vários livros que me interessaram pra pegar das próximas vezes. Mas na verdade eu já sabia o que queria ler, e por sorte ele estava lá me esperando. E é ele que eu vim te recomendar hoje.

O livro é “Dragão Vermelho”, do Thomas Harris. Conforme fui lendo, fiquei muito com a impressão de que já tinha lido, mas pelo que vi no meu Skoob, não. Talvez a sensação seja por já ter visto o filme umas duas vezes. Alguns anos atrás, li O Silêncio dos Inocentes e Hannibal, ou seja, pulei o primeiro da série. Mas tudo bem.
E olha, funcionou! Eu fiquei tão presa na história que aproveitava qualquer cinco minutos que sobrava pra ler. Li até enquanto jantava. Saí do limbo literário que me enfiei.
E agora eu vou te contar um pouco da história (sem spoilers), pra ver se te convenço a ler também.
Dragão Vermelho é uma daquelas histórias clássicas sobre o FBI caçando um serial killer. Se passa no final dos anos 70, bem na época em que o termo “serial killer” surgiu e a ideia de um assassino que cometia seus crimes repetidamente e seguindo um padrão ainda era uma novidade.
Um desses malucos acabou de vitimar uma família inteira, um mês após outra família em um estado diferente, ambas na lua cheia, o que levou o FBI a crer que a próxima seria no mês seguinte.
Eles buscam então a ajuda do agente especial Will Graham, que foi muito bem sucedido em capturar dois assassinos em série antes, de forma quase ~mágica. Will tem memória fotográfica e uma incrível habilidade de se colocar no lugar das outras pessoas e entendê-las, o que o ajuda a descobrir pistas nesses casos que os outros não percebem.
O segundo desses assassinos que Will ajudou a prender foi o Dr. Hannibal Lecter, psiquiatra (e sociopata) muito inteligente que matou 9 pessoas e deixou mais duas em estado deplorável, além de atacar Will, deixando traumas físicos e principalmente psicológicos. Por conta disso, Will abandonou a polícia e foi viver na Flórida com a esposa e o enteado e seus muitos cachorros adotados, trabalhando com o conserto de motores de barco.
A história começa com o FBI indo pedir que ele abandone sua nova vida por um tempo para ajudá-los a pegar esse novo assassino, antes que ele destrua mais uma família. Claro que Will aceita (senão não teria livro 😆), e na corrida contra o tempo toma a difícil decisão de pedir a ajuda de alguém inteligente e experiente: Hannibal, o Canibal.
“- Não gostou no outro dia quando lhe perguntei sobre Lecter, mas preciso falar-lhe a respeito. […] Ele matou nove pessoas ao todo, não foi? […] O que o fez agir assim? Qual seu grau de insanidade?
- Fez porque gostava. Ainda gosta. O Dr. Lecter não é louco, não da forma em que consideramos alguém louco. Fez coisas horrendas porque gostava de fazê-las. Mas pode agir normalmente quando quer.
- Como os psicólogos chamam a isso… o que há de errado com ele?
- Dizem que ele é um sociopata, porque não têm outra maneira de defini-lo. Ele possui algumas das características do que se chama sociopata. Não sente o menor remorso ou culpa. E revela o primeiro e pior sinal… sadismo que vai de animais a crianças. […] Mas não tem nenhum dos outros sinais. […] Não é insensível. Não sabem como defini-lo.
- Como você o definiria? - perguntou Springfield.
Graham hesitou.
- Apenas para você mesmo, como o definiria?
- Ele é um monstro.”
Não se preocupe que nada disso vai estragar a experiência de leitura, esse é só o comecinho da história, e a caçada ao serial killer é muito emocionante. Eu favoritei o livro com 20%! Não me lembro de isso ter acontecido alguma vez.
Will é um personagem muito interessante, por conta desse seu… dom? maldição? de se colocar no lugar das pessoas. Apesar de útil, é algo que traz bastante sofrimento e dúvida, pois se ele consegue se colocar tão bem no lugar desses sociopatas… o que ele é? 👀



"- Qual você pensa que é a maior força impulsora de Will?
Crawford sacudiu a cabeça.
- É o medo, Jack. Ele enfrenta uma montanha de medo.
- Porque foi ferido?
- Não, não apenas isso. O medo surge com a imaginação, é uma punição, é o preço da imaginação."
Outro personagem interessante é, claro, nosso canibal preferido o Dr. Lecter. Mas se você for ler só por causa dele, deixo o aviso de que ele não é o foco aqui. Apesar de ter um papel importante para a história, não é um livro SOBRE ele (apenas avisando pra você não criar uma falsa expectativa). Lecter aparece algumas vezes durante o livro, e as cenas são sempre interessantes. No prefácio da nova edição, Thomas Harris explica que a ideia não era fazer dele o personagem principal, mas o público se interessou tanto pelo personagem que ele acabou trazendo-o de volta no livro seguinte, O Silêncio dos Inocentes (o mais famoso, por causa do filme com Jodie Foster no papel principal), e finalmente o terceiro livro chamado “Hannibal”. Anos depois ele ainda lança mais um volume chamado “A Origem do Mal” (“Hannibal Rising”, no original), contando a vida de Lecter e como ele veio a se tornar Hannibal, o Canibal.
Aproveitei para rever o filme enquanto também vejo a série, e é muito legal ir pegando os paralelos, como os diálogos e algumas frases dos livros aparecem em outros contextos e saindo da boca de outros personagens.
Quem interpreta o agente Graham no filme é o Edward Norton, e apesar de gostar bastante dele, achei que deixou um pouco a desejar. Aqui ele é basicamente um policial bastante competente que faz seu trabalho muito bem. Apesar de ter uma cena em que ele visita a casa da família assassinada e “entra” na mente do psicopata, achei que no filme os ~poderes~ do Will ficam meio escondidos e ele é um cara mais genérico. No livro e mais ainda na série, ele é bastante peculiar, com suas neuroses, seu autismo, sua inteligência acima do normal.
Outra coisa que se perde no filme é o background do serial killer, Francis Dolarhyde. No filme ficam mais subentendidos os traumas que ele sofre na infância, e a ligação dele com o Dragão Vermelho fica rasa, parecendo só uma assinatura que ele escolheu, enquanto no livro o apelido vem da obsessão de Dolarhyde pela pintura “O Grande Dragão Vermelho e a Mulher Vestida de Sol”, de William Blake.
Esse dragão é uma figura bíblica, e Francis acredita ser uma espécie de reencarnação desse mal, portanto é o Dragão quem comete os crimes. Isso cria toda uma confusão na cabeça dele, que acaba passando despercebida no filme e deixando um pouco sem sentido uma das cenas mais icônicas da história (não vou contar o que é, se você já assistiu, sabe).
Dito tudo isso, é um filme muito bom, e recomendo fortemente.
Sobre o Dr. Lecter, não consigo escolher quem eu gosto mais, Anthony Hopkins ou Mads Mikkelsen. Enquanto lia, eu ia alternando entre os dois na minha imaginação.
No momento estou no terceiro livro “Hannibal”, e nos últimos episódios da série. Se você já leu ou assistiu, me diz aí o que você acha, qual livro, temporada ou personagem é o seu preferido. E se ainda não, espero que eu tenha conseguido te deixar na curiosidade e você dê uma chance pra essa história.

Nesse último mês tenho conseguido desenhar um pouco mais, estou voltando ao hábito aos pouquinhos. Estou conseguindo me divertir desenhando de novo, ao invés de me sentir pressionada.
Comecei um novo curso na Doméstika, mais voltado pra urban sketch, onde a ideia do professor é fazer um diário ilustrado e registrar com desenhos o ambiente, as paisagens, as construções, o dia a dia. A técnica principal dele é o cross hatching, ir preenchendo os espaços com linhas em nanquim, e ir criando as diferentes tonalidades de sombra.
Estou gostando do projeto, até comprei um caderno novo pra ele, então espero numa próxima newsletter conseguir te mostrar alguns dos meus rabiscos.
É isso.
Espero que tenha gostado da minha carta.
Vou tentar não demorar tanto pra aparecer de novo.
Até logo! ☕️
x
✧ louie ✧






Que alegria poder te ler de novo Louie! Confesso que nunca li essa série de livros (pois tomei spoilers sobre o terceiro que me desanimaram bastante), mas amei O Silêncio dos Inocentes quando assisti e fiquei intrigada com o seu texto, então lá vou eu adicionar O Dragão Vermelho à minha TBR hehehe 🤎✨