Café #15
“Acho que vou desaparecer por algum tempo.”
Leia essa carta enquanto ouve: Hard Sun - Eddie Vedder
“Saudações de Fairbanks! Esta é a última vez que você terá notícias minhas, Wayne. […] Se esta aventura se revelar fatal e você nunca mais tiver notícias de mim, quero que saiba que você é um grande homem. Caminho agora para dentro da natureza selvagem. Alex.”
“Decidi que vou levar esta vida por algum tempo. A liberdade e a beleza simples dela são boas demais para deixar passar.”
“A triturante e poeirenta subida da rodovia do Alasca foi a primeira visita de Chris ao Norte longínquo. Foi uma viagem abreviada […] mas ficara encantado com a vastidão da região, o matiz fantasmagórico das geleiras, o céu subártico translúcido. Nunca houve dúvidas de que retornaria.”
“Saindo de Atlanta para o oeste, pretendia inventar uma vida totalmente nova para si mesmo, na qual estaria livre para mergulhar na experiência crua, sem filtros. Para simbolizar o corte completo com sua vida anterior, adotou um nome novo. Não mais atenderia por Chris McCandless; era agora Alexander Supertramp, senhor de seu próprio destino.”



“Você via logo que Alex era inteligente. Lia muito. Usava um monte de palavras pomposas. Acho que parte do que complicou sua vida talvez tenha sido que ele pensava muito. Às vezes fazia força demais para entender o mundo, saber por que certas pessoas eram más com as outras. Um par de vezes tentei lhe dizer que era um erro se aprofundar tanto naquele tipo de coisa, mas Alex empacava. Tinha sempre que saber a resposta certa e absoluta antes de passar para a próxima coisa.”
“Não acho que alguma vez tenha saído com os outros empregados depois do trabalho ou coisa assim. Quando conversava, falava sem parar sobre árvores, natureza e coisas esquisitas do tipo. Todos achávamos que ele tinha alguns parafusos a menos.”
“É nas experiências, nas lembranças, na grande e triunfante alegria de viver na mais ampla plenitude que o verdadeiro sentido é encontrado. Meu Deus, como é bom estar vivo! Obrigado. Obrigado.”
“Evertt [Ruess] era estranho. Meio diferente. Mas ele e McCandless pelo menos tentaram seguir seus sonhos. Isso é que faz a grandeza deles. Eles tentaram. Pouca gente faz isso.”
“Dois anos ele caminha pela terra. Sem telefone, sem piscina, sem animal de estimação, sem cigarros. Liberdade definitiva. Um extremista. Um viajante estético cujo lar é a estrada. Fugido de Atlanta, não retornarás, porque ‘o Oeste é o melhor’. E agora depois de dois anos errantes chega à última e maior aventura. A batalha final para matar o ser falso interior e concluir vitoriosamente a revolução espiritual. Dez dias e noites de trens de carga e pegando carona trazem-no ao grande e branco Norte. Para não mais ser envenenado pela civilização, ele foge e caminha sozinho sobre a terra para perder-se na natureza.
Alexander Supertramp
Maio de 1992”
“Diferentemente de Muir e Thoreau, McCandless foi para longe da civilização não para pensar sobre a natureza ou o mundo em geral, mas para explorar o terreno interior de sua alma. No entanto, ele logo descobriu o que Muir e Thoreau já sabiam: uma estada demorada na natureza selvagem dirige inevitavelmente nossa atenção para fora tanto quanto para dentro, e é impossível viver da terra sem desenvolver, ao mesmo tempo, uma compreensão sutil dela e de tudo que ela sustenta e um forte laço emocional com ela.”
“Um de seus últimos atos foi tirar uma foto de si mesmo, de pé perto do ônibus, sob o alto céu do Alasca, segurando com uma das mãos seu bilhete final, a outra erguida numa despedida corajosa, beatífica. Seu rosto está horrivelmente emaciado, quase esquelético. Mas se sentiu pena de si mesmo naquelas últimas horas difíceis - porque era tão jovem, porque estava sozinho, porque seu corpo o traíra e sua vontade o abandonara -, isso não aparece na fotografia. Está sorridente e não há como se enganar com seu olhar: Chris McCandless estava em paz, sereno como um monge que se entrega a Deus.”
“Mais que amor, dinheiro e fama, dai-me a verdade.”
Thoreau









